Comportamento/Moda

Fast fashion Weeks? As próximas temporadas prometem mudanças na dinâmica das semanas de moda

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O mundo está em constante mudança e tudo está acontecendo muito rápido. A tecnologia atual nos permite estar em vários lugares, mesmo que não estejamos presentes fisicamente, podemos acompanhar tudo em tempo real, comentar, compartilhar e até mesmo fazer as nossas próprias transmissões.

A primeira vez que tive contato com o Periscope foi durante a 40ª edição do São Paulo Fashion Week (atrasada, hein?), achei maravilhoso, uma das melhores invenções dos últimos tempos, em matéria de apps para smartphones e outros gadgets.

Sempre acompanhei as fashion weeks pelo instagram e pelas fotos e matérias divulgadas em sites de notícias ou assisti depois os vídeos pelo Youtube, mas acompanhar em tempo real, quando poucas marcas disponibilizam a transmissão, foi uma ótima novidade. E por conta de novidades como essa, as diversas mídias sociais e a velocidade da informação, é que a dinâmica das semanas de moda pode mudar.

Já faz um bom tempo que ver desfiles de moda não é mais uma exclusividade do público especializado, de compradores e da imprensa, hoje é possível acompanhar cada desfile e saber todas as tendências e referências da próxima estação a qualquer momento e com apenas alguns cliques. Por conta disso, as marcas de moda estão pensando em fazer algumas mudanças no modo como apresentam suas coleções, levantando a discussão de qual é a melhor nova maneira de fazer isso.

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O imediatismo – que é uma das palavras que resume o que vivemos hoje – aliado a um cenário de vendas pouco favorável e a uma mudança no modo de consumir da geração mais jovem (um estudo mostra que os millennials preferem experimentar a consumir e compartilhar as experiências na rede) acabam por reforçar a ideia de que as semanas de moda podem não estar acompanhando o ritmo de vida atual.

Os desfiles acontecem sempre com estações contrárias, a semana de inverno acontece no verão e vice-versa. Apesar disso antecipar as tendências, as peças apresentadas durante os desfiles só chegam às lojas quase seis meses depois, o que acaba por esfriar o desejo do consumidor que viu aquela roupa durante o desfile (seja pelas redes sociais, por transmissão ao vivo ou até mesmo de corpo presente no evento). Enquanto as marcas de fast fashion adiantam e muito esse processo quando lançam peças muito parecidas com as da passarela apenas algumas semanas depois .

Mas, então, o que fazer? Acabar com as fashion weeks? Essa não seria exatamente a melhor opção, já que, ainda assim, são uma grande ferramenta de comunicação e divulgação, movimentam muito dinheiro, reúne os profissionais da área e dão visibilidade a indústria. Além de ser o momento das marcas com uma pegada mais conceitual de apresentar suas criações e desfiles-performance.

A ideia é reformular as semanas de moda para que se adequem ao modo de consumo atual, o da geração IWWIWWIWI (I Want What I Want When I Want – Eu quero o que eu quero quando eu quero).

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Crédito: Farfetch  (www.farfetch.com.br)

Algumas das possíveis soluções levantadas são deixar de dividir as coleções por estações, juntar as linhas masculinas e femininas (o agender está sendo cada vez mais explorado na moda) e colocar as peças a venda imediatamente após os desfiles. Teríamos, daqui por diante, “fast fashion weeks”?

Algumas marcas já tomaram algumas decisões e já no segundo semestre de 2016 poderemos ver as primeiras mudanças. A inglesa Burberry apresentará dois desfiles com as linhas femininas e masculina serão unificadas e as peças estarão disponíveis após os desfiles, que acontecerão em fevereiro e setembro, sem definição de estações do ano.

Já o coletivo Vetements apresentará dois desfiles, uma em março e o outro em junho, na época em que são lançadas pré-coleções. As linhas masculina e feminina também serão unificadas e as peças também estarão à venda logo após os desfiles.

Tom Ford cancelou o desfile marcado para hoje (18) na Semana de Moda de Nova York, para mostrar a coleção de inverno 2016/2017 em setembro, quando as peças estiverem prontas para chegar às lojas.

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Diane Von Furstenberg optou por mostrar a nova coleção da marca em sua sede, com as modelos vestindo as roupas e os convidados tendo a oportunidade de ver tudo mais de perto e poder tocar nas peças. O encontro aconteceu no último domingo (14).

Kanye West juntou mais de 20 mil pessoas na arena Madison Square Garden, em Nova York, para apresentar a nova coleção da Yeezy, sua marca em parceria com a Adidas. Além disso, o show foi transmitido pelo Tidal e alcançou mais de 20 milhões de pessoas, gerando grande atenção para a marca.

Apesar de não ter as peças disponíveis para venda ao final do evento, o desfile da Yeezy pode ser configurado como um novo formato, já que aconteceu em um espaço bem maior que o que estamos acostumados a ver e contou com a venda de ingressos.

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Outras marcas também já estão se manifestando e apresentando novas estratégias, como a Tommy Hilfiger, que em 2017 também deixará as peças disponíveis logo após a apresentação da coleção de verão nos mais de 20 mil pontos de venda da marca. 

A discussão está longe de acabar e ainda há muito o que se pensar e fazer. Enquanto isso, podemos aproveitar a temporada atual de desfiles, que ainda está apenas no começo, já que ela pode a ser a última a ser apresentada no formato que conhecemos.

 

 

 

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